QUEM CONTA A HISTÓRIA? PALESTRA NO MUSEU AFRO BRASIL EMANOEL ARAUJO PARTE DA OBRA DE ROMÉO MIVEKANNIN PARA REVER NARRATIVAS
Da Redação - editorias.obilhetedanoticia@gmail.com - @noticias.emcartaz
No dia 26 de fevereiro, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, realiza um encontro entre o curador Claudinei Roberto da Silva e o artista visual Denis Moreira, com mediação de Erick Santos, coordenador do Núcleo de Salvaguarda do museu, em torno da exposição A História Inventada e a Invenção de Histórias, do artista beninense Roméo Mivekannin. A atividade acontece das 15h às 17h, integra o Programa Pretuguês – Lélia Gonzalez e amplia o debate proposto pela mostra, em cartaz até 29 de março de 2026.
Mais do que uma conversa sobre a exposição, o encontro propõe um exercício de leitura crítica das imagens e narrativas que moldaram a história da arte ocidental. Na obra de Mivekannin, arquivos visuais consagrados — muitos deles ligados à tradição europeia — são revisitados a partir de um gesto de reinterpretação que desloca corpos, símbolos e protagonismos. O que antes era moldura torna-se centro; o que foi silenciado passa a narrar.
É a partir desse movimento que a palestra se constrói. Claudinei e Denis partem das obras expostas para discutir memória, colonialidade, apagamentos históricos e as narrativas que atravessam a diáspora africana. O diálogo conecta curadoria, prática artística e pensamento crítico, aproximando o público dos processos que sustentam tanto a exposição quanto as trajetórias dos dois convidados.
Claudinei Roberto da Silva é uma figura central na cena artística brasileira das últimas décadas. Artista, curador e professor, participou de exposições e projetos que ajudaram a consolidar a presença da produção afro-brasileira em instituições de arte contemporânea. Entre seus trabalhos mais recentes estão curadorias no Museu Afro Brasil e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, além da participação no 37º Panorama das Artes do MAM.
Já Denis Moreira, artista visual e pesquisador, constrói sua obra a partir de investigações sobre identidade, ancestralidade e cultura afrodescendente. Em pinturas e fotografias, o artista mobiliza símbolos, máscaras e referências históricas para criar imagens que transitam entre tradição e contemporaneidade. Seu trabalho esteve presente em instituições como o Paço das Artes, o MAM São Paulo e a 36ª Bienal de São Paulo.
A conversa entre os dois se insere no Programa Pretuguês – Lélia Gonzalez, iniciativa do museu que toma a linguagem como campo de disputa estética, política e epistemológica. Inspirado no conceito formulado pela intelectual Lélia Gonzalez, o programa afirma a centralidade das culturas negras na formação da sociedade brasileira e propõe um espaço de produção de pensamento a partir de perspectivas negras contemporâneas.
Nesse contexto, a palestra funciona como uma espécie de extensão viva da exposição: um momento em que as obras deixam as paredes e passam a circular na palavra, no debate e na troca de experiências. O público é convidado não apenas a observar, mas a participar de um processo de leitura coletiva — como se cada imagem abrisse uma porta e, do outro lado, estivesse uma história esperando para ser recontada.
Mais Informações:
Palestra com Claudinei Roberto da Silva e Denis Moreira
Exposição: A História Inventada e a Invenção de Histórias, de Roméo Mivekannin
Local: Teatro Ruth de Souza
Data: 26 de fevereiro de 2026
Horário: das 15h às 17h
Classificação: livre
Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
Funcionamento: terça a domingo, das 10h às 17h - permanência no museu até às 18h.
Ingressos: R$ 15 (inteira) | R$ 7,50 (meia)
Quartas-feiras: gratuito
Classificação: livre
Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu fundador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 8 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.



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