DAN GALERIA APRESENTA MOSTRA INÉDITA DE IVALD GRANATO
Da Redação - editorias.obilhetedanoticia@gmail.com - @noticias.emcartaz
A DAN Galeria inaugura, em 28 de março, a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Sobre o artista
Ivald Granato (Campo dos Goytacazes, Brasil, 1949 —São Paulo, Brasil, 2016) . Do que é possível ser praticado por um artista, pouquíssimas são aquelas realizações que escaparam a Ivald Granato. Não é de se espantar, portanto, que ele seja um dos precursores da performance no cenário artístico brasileiro. Incluindo o seu próprio corpo, numerosos são os suportes e meios que empregou na feitura de sua obra, ato contínuo e intenso de uma criação inquieta e provocativa.
Ainda que Granato seja muito destacado pela prática de performances como I’m not Andy Warhol e a icônica Mitos Vadios, de 1978, é a pintura que consagrou sua produção artística. Antes de qualquer coisa, Granato foi um grande pintor e desenhista, práticas que começou a desenvolver ainda na infância. Em sua pintura, o artista consegue transmitir espontaneidade e vivacidade, conquistadas com pinceladas rápidas e livres, cores intensas e vibrantes, o que resulta em trabalhos de corporalidade expressiva e frenético gesto criativo. Diga-se, tudo muito bem construído e documentado pelo artista. Em mais de cinquenta anos de trajetória artística, Granato deve fases bem distintas e marcantes, que iam acontecendo com naturalidade. Seu rigor técnico e organização o acompanharam por todos os períodos, assim como sua obstinação desde criança para desenvolver sua trajetória artística, atestada pela família e amigos próximos a ele.
Assim, há obras que dialogam com o surrealismo, a Pop Art, como as da Série Pop, dos anos 60, arte conceitual nos anos 70, figurativo e abstrato mais tarde. A expressividade gestual sempre foi destacada. Na obra “A Natureza-Morta que Picasso Pintou e Deixou em Minha Casa Quando eu Tinha Cinco Anos (1979)” Granato utiliza procedimentos do cubismo para dar um tratamento tendente ao abstrato às figuras vagamente antropomórficas, enquanto em Margot (1981) a figura humana ganha um tratamento fantasioso e expressivo. Granato também visitou grandes mestres, com releituras da história da arte, como Sem Título/Monalisa, pertencente à série Heads, dos anos 2000, na qual o artista substitui o rosto da Monalisa pela silhueta de uma cabeça cujos traços se baseiam no formato do perfil de seu pai, e também numa obra como Baconato (2013), onde o artista desenvolve uma série (inédita) sobre obras de Francis Bacon, fundindo os trabalhos dos dois, e revelando o percurso da mistura.
Em toda obra pictórica de Granato domina a força da gestualidade, a presença intensa do corpo do artista na obra. O gesto aqui opera como evidência do potente ato criativo, cujo movimento e energia preservam-se presentes na obra acabada, atualizando constantemente o processo gerativo que é a própria pintura. Mais do que isso, está surge sempre como acontecimento, sinal paradoxal da criação que permanece inédita mesmo após a consolidação do seu próprio ato.
Sobre a galeria
A DAN Galeria foi fundada em 1972, em São Paulo, por Gláucia e Peter Cohn. Nos primeiros anos de atividade, a galeria concentrou-se na arte moderna brasileira, apresentando obras de importantes artistas do movimento modernista de 1920, tais como Di Cavalcanti, Antonio Gomide, Ismael Nery, Tarsila do Amaral entre outros. Ainda nos primeiros anos de funcionamento, artistas como Alfredo Volpi, Cícero Dias, Antonio Bandeira e Yolanda Mohalyi foram incorporados ao grupo representado pela galeria que, ao longo das últimas décadas, expandiu-se também para a produção internacional e para a arte contemporânea.
O departamento de arte contemporânea foi criado em 1985 por Flávio Cohn, filho do casal fundador. Posteriormente, seu irmão Ulisses Cohn também se associou ao quadro de direção da Dan. Juntando pesquisa histórica e sintonia com o mercado internacional, nos últimos vinte anos a galeria exibiu obras de Lygia Clark, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Gonçalo Ivo, Ascânio MMM, Macaparana, Sérgio Fingermann e artistas internacionais como Sol LeWitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, Cesar Paternosto, Eduardo Stupía, Adolfo Estrada, Knopp Ferro, Ian Davenport, Max Bill, Joseph Albers, além dos britânicos Tony Cragg, Kenneth Martin e Mary Martin.
A DAN Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino, François Morellet e Getúlio Alviani; bem como os artistas geométricos abstratos históricos: Sandu Darié, Salvador Corratgé, Wilfredo Arcay e Dolores Soldevilla, só para mencionar alguns dos cubanos do grupo Los Once (The Eleven). O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol e Teodoro Dias (Brasil); os internacionais, Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria.
A DAN Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras.
Mais Informações:
Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
Curadoria: Maria Alice Milliet
Endereço: DAN Galeria – Rua Estados Unidos, 1638 – São Paulo
Abertura: 28 de março
Período expositivo: 28 de março a 27 de junho
Horário: das 10h às 19h, de segunda a sexta; das 10h às 13h, aos sábados
Entrada gratuita
Classificação: livre
Acesse: dangaleria.com.br
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