JANAINA MELLO LANDINI EXPLORA A MATÉRIA EXPLORA A MATÉRIA VIVA EM NOVA EXPOSIÇÃO DA ZIPPER GALERIA
Da Redação - editorias.obilhetedanoticia@gmail.com - @noticias.emcartaz
A matéria viva, em transformação contínua, é o ponto de partida da nova exposição Acorda, de Janaina Mello Landini, na Zipper Galeria. Sob curadoria de Marcello Dantas, a artista amplia sua investigação ao incorporar novos materiais e construir uma instalação que opera como um sistema orgânico, no qual elementos, tempos e processos se interligam. A abertura acontece em 21 de março, no piso principal da galeria.
Neste site-specific, são ativados materiais nunca antes presentes no corpo de trabalho de Janaina. À sua reconhecível prática em que o fio se projeta no espaço, em diálogo com a arquitetura, são agora incorporados elementos como galhos, pedras, sal, carvão, água, musgos, fungos e o Verdete, uma espécie de potássio bruto trazido de São Gotardo, Minas Gerais, terra de origem da artista.
Esses elementos constituem um circuito de relações e dependências, em que estrutura, decomposição, nutrição, umidade e transformação se contaminam mutuamente. A instalação se aproxima, assim, de uma lógica viva, na qual cada matéria atua como parte de um metabolismo maior.
No texto curatorial, Marcello Dantas aproxima a exposição da imagem do micélio: “Rede silenciosa que ocupa os interstícios do mundo, ele é capaz de digerir tudo aquilo que a vida produz, transforma e abandona. Fim e começo na mesma trama. O fio que nos enreda antes mesmo que possamos nomeá-lo.”
Pela primeira vez, Janaina realiza a aplicação do algoritmo (-1) diretamente no chão do espaço expositivo, a partir da reapropriação de um trabalho anterior, de 2019, agora em outra lógica construtiva. A instalação ainda convocou todos os fios do ateliê da artista que, em outro momento de Acorda, surgem presos às paredes da galeria.
Ao longo do percurso, o visitante atravessa diferentes situações espaciais e materiais até chegar a uma região central, formada por galhos e tramas que criam uma espécie de ambiente interno, quase um abrigo. Nesse núcleo, um vaso suspenso deixa cair, gota a gota, água sobre um espelho d’água no chão, instaurando uma temporalidade lenta e insistente, ligada à introspecção, à passagem do tempo e à alteração da percepção.
Em torno desse centro, a presença dos diferentes materiais ativa uma ecologia sensível: o que sustenta, o que infiltra, o que mineraliza, o que apodrece, o que germina. Em Acorda, essa investigação se desloca da imagem para a matéria viva, em um fluxo que atravessa matéria, tempo e percepção, um campo em que decomposição, regeneração e interdependência se articulam numa mesma trama.
Sobre a galeria
Localizada no bairro Jardins em São Paulo, à rua Estados Unidos 1494, a Zipper Galeria é mais do que uma galeria de arte; é um espaço dinâmico que se reinventa continuamente para acolher a multiplicidade de discursos da arte contemporânea. Desde sua inauguração em 2010, a galeria tem sido uma referência para artistas emergentes e uma plataforma inclusiva para nomes estabelecidos.
A arquitetura acolhedora da Zipper Galeria, que foge do tradicional cubo branco, com inspirações do brutalismo, é assinada por Marcelo Rosenbaum. O espaço abraça a interseção entre arte e tecnologia, reunindo diversas formas de expressão artística, desde a pintura e escultura até a fotografia, vídeo, desenho e instalação.
A Zipper Galeria iniciou sua trajetória com foco nos talentos emergentes da cena artística, sendo reconhecida como uma galeria que respira a "linguagem jovem de São Paulo". Ao longo dos anos, no entanto, a galeria expandiu suas representações, incorporando artistas representativos das décadas de 1980 e 1990, além de testemunhar o amadurecimento das produções dos artistas que acompanhou desde o início.
A palavra que melhor define a Zipper Galeria é "pluralidade". A galeria se tornou um ponto de convergência para a diversidade de estilos do cenário artístico brasileiro. Essa abertura à pluralidade é evidenciada em projetos como o Zip’Up, lançado em 2011, que ocupa o segundo andar da galeria, e o "Salão dos Artistas Sem Galeria", realizado anualmente desde 2012, ambos dedicados a impulsionar artistas ainda não inseridos no circuito comercial de São Paulo.
Além disso, a Zipper Galeria marca sua presença no cenário urbano com o projeto "Poesia de Fachada", que transforma a fachada da galeria em uma tela para poemas visuais.
A visão e paixão por arte de Fabio Cimino deram origem à Zipper Galeria, e desde 2012, seu filho, Lucas Cimino, junto com o sócio Osmar Santos, a partir de 2017, tem liderado a galeria, trazendo a combinação de experiência e inovação para consolidar o compromisso da Zipper Galeria com a arte contemporânea.
Mais Informações:
Acorda – Janaina Mello Landini
Curadoria: Marcello Dantas
Local: Zipper Galeria - Piso Térreo
Endereço: R. Estados Unidos, 1494 - Jardim América, São Paulo
Abertura: 21 março, das 12h às 17h
Período expositivo: 21 de março de a 18 de abril de 2026
Informações: www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria
.jpg)


Comentários
Postar um comentário