MASP LANÇA VÍDEO DOCUMENTAL DA PRIMEIRA ETAPA DO PROJETO DE RESTAURO DE OBRAS DO PINTOR HOLANDÊS FRANS HALS
O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, com patrocínio da multinacional holandesa AkzoNobel, fabricante de tintas e revestimentos, dá continuidade ao projeto de análise e restauro de três obras do pintor holandês Frans Hals (1581-1666), com o lançamento, no dia 6 de setembro, do primeiro vídeo documental sobre o processo. Pertencentes ao acervo do MASP, os trabalhos são datados da década de 1630 e foram doados ao museu em conjunto em 1951. A produção audiovisual compreende a primeira fase do projeto, que consiste em pesquisas bibliográficas e de imagens para estudar as obras em termos materiais, através de procedimentos como a radiografia, reflectografia no infravermelho e a macro varredura por fluorescência de raios-x. O vídeo é conduzido por depoimentos de especialistas sobre as técnicas de análise, e estará disponível no YouTube, site e redes sociais do MASP a partir da data de lançamento.
Segundo Sofia Hennen, conservadora adjunta do MASP, “as obras formam um conjunto com alto valor patrimonial, histórico e artístico. Hoje, elas apresentam alguns problemas causados por processos antigos de restauro. É possível observar repintes e vernizes antigos oxidados e escurecidos que comprometem o aspecto das obras”. Portanto, está sendo feito um tratamento principalmente estético para melhorar a apreciação das obras e deixá-las mais próximas à intenção original do artista.
O projeto, que acontece ao longo de 2022, é realizado em parceria com o Museu Frans Hals, da Holanda, e com duas instituições brasileiras: o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) e o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). E está sendo acompanhado por um comitê científico internacional, composto por especialistas de diferentes instituições, para discutir os tratamentos propostos e aconselhar a equipe durante o processo.
A conservadora-restauradora holandesa Liesbeth Abraham, do Museu Frans Hals, também acompanha o projeto, contribuindo com seu conhecimento sobre a técnica pictórica do artista e sobre o diagnóstico da obra. Além disso, ajuda a determinar o tratamento de conservação e restauro mais adequado.
Século de Ouro dos Países Baixos
O holandês Frans Hals, reconhecido pela pintura de retratos e de gênero, é um dos expoentes do chamado Século de Ouro dos Países Baixos. Ele retratou principalmente a burguesia holandesa, em especial os cidadãos de Haarlem, cidade onde morava. Um dos cenários mais comuns para os retratos eram os casamentos, como é o caso de duas pinturas que pertencem ao acervo do MASP: “Maria Pietersdochter Olycan” e “O Capitão Andries van Hoorn”, casal de influentes burgueses de Haarlem. Hals também pintava com frequência membros da guarda civil, e o terceiro retrato do acervo do MASP, intitulado “Oficial sentado”, provavelmente pertence a esse grupo. Os trabalhos são datados da década de 1630 e adquiridos pelo museu em 1951.
O projeto patrocinado pela AkzoNobel tem como objetivo pesquisar a técnica e a história material dessas obras. Com base nisso, realiza um tratamento bem fundamentado histórica e cientificamente. O comportamento ao longo do tempo dos materiais é importante na conservação e restauro. Por isso, existe um grande interesse da parte dos conservadores no desenvolvimento tecnológico das tintas.
“Como especialistas em tintas e revestimentos desde 1792, sabemos a importância da fidelidade de cor na pintura artística, e também à nossa volta. Estamos sempre inovando em produtos e técnicas de aplicação para gerar resultados consistentemente precisos e duradouros, de forma mais sustentável. Por isso, estamos muito contentes em participar desse projeto no Brasil”, comenta Daniel Geiger Campos, presidente da AkzoNobel América Latina.
E essa não é a primeira incursão da empresa nesse tipo de iniciativa. A AkzoNobel é parceira, por exemplo, do estúdio de restauração do Museu Van Gogh desde 2013. Também colabora com o Rijksmuseum desde 2010. A empresa forneceu ao museu holandês aproximadamente 8 mil litros de tinta ao longo de sua reforma de dez anos e, atualmente, é a sua principal parceira na chamada Operação Night Watch, o maior e mais abrangente projeto de pesquisa e restauro da história da famosa obra The Night Watch (1642), de Rembrandt.
Fases do projeto
O projeto de conservação e restauro das três obras de Frans Hals é realizado em duas fases. A primeira incluiu um conjunto de análises científicas que apontou elementos relevantes sobre a técnica do pintor e permitiu um diagnóstico detalhado, fundamental para a elaboração de uma proposta de tratamento adequada. Procedimentos como a radiografia e a reflectografia no infravermelho, realizadas pelo Instituto de Física da USP, permitem revelar características importantes das pinturas, muitas vezes invisíveis a olho nu, como o desenho preparatório e as modificações durante a realização das obras.
Já a macro varredura por fluorescência de raios-x, realizada pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), permite escanear toda a superfície da obra e identificá-la ponto a ponto. Essa técnica revela os componentes da pintura e ajuda a compreender a técnica pictórica, além de indicar retoques e repintes realizados ao longo do tempo.
O conjunto das análises irá apontar elementos interessantes sobre a técnica de Frans Hals e, também, possibilitará a realização de um diagnóstico detalhado, fundamental para a elaboração de uma proposta de tratamento adequada. A segunda fase consiste, por fim, em realizar os tratamentos de conservação e restauro das obras, levada a cabo pela equipe do MASP, junto à conservadora-restauradora do Museu Frans Hals, Liesbeth Abraham. Após a conclusão do projeto, as três obras serão expostas nos cavaletes de vidro com acesso a todos os públicos do museu.
Mais Informações:
PROJETO FRANS HALS
Análise e restauro
Lançamento do vídeo documental sobre a primeira fase
06.09.2022
Online
www.masp.org.br - instagram.com/masp - youtube.com/maspmuseu
Sobre as obras
Frans Hals, Maria Pietersdocheter Olycan, 1638, óleo sobre tela, acervo MASP, doação Alberto Soares Sampaio, Álvaro Soares Sampaio, José Machado Coelho de Castro, Joaquim Bento Alves de Lima, Ricardo Jafet, Evaristo Fernandes, Francisco Pignatari, Alberto Quattrini Bianchi, Geremia Lunardelli, Gladston Jafet, Nagib Jafet, Themístocles Marcondes Ferreira, Severino Pereira, Dor Lesch, Nelson de Faria, Diários Associados, Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira S.A., Companhia Vidroplano S.A., Marwin S.A., Fábrica de Parafusos Santa Rosa S.A., Cia. de Cimento Vale do Paraíba S. A., 1951, foto Pedro Campos e Elizabeth Kajiya.
Frans Hals, Oficial sentado, 1631, óleo sobre tela, acervo MASP, doação Alberto Soares Sampaio, Álvaro Soares Sampaio, José Machado Coelho de Castro, Joaquim Bento Alves de Lima, Ricardo Jafet, Evaristo Fernandes, Francisco Pignatari, Alberto Quattrini Bianchi, Geremia Lunardelli, Gladston Jafet, Nagib Jafet, Themístocles Marcondes Ferreira, Severino Pereira, Dor Lesch, Nelson de Faria, Diários Associados, Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira S.A., Companhia Vidroplano S.A., Marwin S.A., Fábrica de Parafusos Santa Rosa S.A., Cia. de Cimento Vale do Paraíba S. A., 1951, foto Pedro Campos e Elizabeth Kajiya.
Frans Hals, O capitão Andries van Hoorn, 1638, óleo sobre tela, acervo MASP, doação Alberto Soares Sampaio, Álvaro Soares Sampaio, José Machado Coelho de Castro, Joaquim Bento Alves de Lima, Ricardo Jafet, Evaristo Fernandes, Francisco Pignatari, Alberto Quattrini Bianchi, Geremia Lunardelli, Gladston Jafet, Nagib Jafet, Themístocles Marcondes Ferreira, Severino Pereira, Dor Lesch, Nelson de Faria, Diários Associados, Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira S.A., Companhia Vidroplano S.A., Marwin S.A., Fábrica de Parafusos Santa Rosa S.A., Cia. de Cimento Vale do Paraíba S. A., 1951, foto Pedro Campos e Elizabeth Kajiya.
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