ARTE BRASILEIRA PARA QUEM? COLETIVA AINDA BEM TRANSFORMA A GALERIA EM CAMPO DE BATALHA SIMBÓLICO

Da Redação - editorias.obilhetedanoticia@gmail.com - @noticias.emcartaz

“Ainda bem que este tipo de arte um dia irá acabar.”
A frase de Gustavo Speridião dá nome — e tom — à exposição coletiva AINDA BEM, que estreia dia 26 de maio, na Danielian. Reunindo 28 artistas dos séculos XIX, XX e XXI, a mostra parte da provocação para questionar a tradição burguesa que moldou a ideia de arte no Brasil e no Ocidente.

Com curadoria de Clarissa Diniz, a exposição coloca em choque dois imaginários: de um lado, pinturas e retratos ligados ao olhar protegido de uma elite branca brasileira que buscava reproduzir padrões europeus de refinamento; de outro, obras contemporâneas que ironizam, desmontam e desafiam esse legado — inclusive o geometrismo industrial modernista, lido sublinhado em suas implicações com concepções de controle e higienização social, estética e cultural.

“Trata-se de imaginar e construir práticas artísticas que não obedeçam, tampouco se intimidem, diante das prescrições históricas, sociais e ontológicas legadas pela formação burguesa da ideia de arte”, afirma Clarissa Diniz.

Pinturas, vídeos e fotografias ocupam o espaço expositivo em um percurso que atravessa diferentes tempos históricos para revelar permanências incômodas. Mais do que revisitar a história da arte brasileira, AINDA BEM sugere que certas estruturas de poder seguem intactas — mesmo que com novas molduras —, apesar de serem, ainda, passíveis de desmonte e transformação.

Além de Gustavo Speridião, participam da mostra artistas como Álvaro Seixas, o perfil de instagram A Vida de Tina & New Memeseum, Cláudia Hersz, Lenora de Barros, Nati Canto, Pedro Vinicio, Rodolfo Amoedo, Louis Auguste Moreau, Thales Pomb e Victor Arruda.

AINDA BEM não oferece conforto nem respostas fáceis. A exposição prefere o atrito: reconhecer, em imagens do século XIX, as mesmas lógicas de exclusão e representação que ainda atravessam o presente. E talvez seja justamente por acontecer dentro de uma galeria comercial que essa crítica encontre sua forma mais aguda.

Sobre a Danielian

A Danielian é fruto de mais de duas décadas de experiência de seus fundadores. A galeria constrói pontes entre a herança artística brasileira e as relevantes contribuições ao panorama cultural do presente, celebrando a diversidade de fazeres e pensares que compõem o tecido vivo da arte.

Mais Informações:

Exposição: AINDA BEM
Curadoria: Clarissa Diniz
Local: Danielian
Período expositivo: De 26 de maio a 11 de julho de 2026
Horários: Segunda à sexta das 11h às 19h | Sábado das 11h às 15h
Entrada: Gratuita
Mais informações: https://danielian.com.br/ | Instagram: @danielian_galeria

Comentários