MIGUEL PENHA CHIQUITANO GANHA PRIMEIRA INDIVIDUAL NA ZIPPER GALERIA
Da Redação - editorias.obilhetedanoticia@gmail.com - @noticias.emcartaz
No dia 18 de junho, a Zipper Galeria inaugura Água da Mata, individual de Miguel Penha Chiquitano, com curadoria de Josué Mattos. Neste conjunto de pinturas inéditas, o artista elabora sua produção a partir de suas experiências nos biomas brasileiros, como o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia mato-grossense.
Observador da mata desde o nascimento, às margens do Rio Cuiabá, o artista atravessou as violências históricas impostas aos povos originários de sua família: os Bororo, por parte de mãe, e os Chiquitano, por parte de pai. Ainda criança, percorria a floresta ao lado do pai, guardando na memória as formas das plantas, os ritmos da mata e suas transformações. Antes mesmo de nomear o mundo, desenvolveu uma percepção da floresta como presença sagrada, marcada por sons, movimentos, profundidades e texturas.
Aos 9 anos, foi entregue pelos pais a um casal que vivia no Distrito Federal, numa tentativa de protegê-lo das violências dirigidas aos povos indígenas da região. Em 1979, a família adotiva ingressou no comércio de antiguidades e leilões de arte em Brasília (DF). Foi nesse ambiente que, aos 18 anos, teve seu primeiro contato mais direto com a produção artística, aproximando-se de obras de nomes como Antônio Parreiras, Manuel Santiago, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi, entre outros. Esse convívio ampliou seu repertório visual e marcou o início de uma relação mais profunda com a arte, que mais tarde encontraria desdobramento em sua própria trajetória como artista.
Em 1984, retorna a Mato Grosso e passa a viver na Chapada dos Guimarães, onde a paisagem do Cerrado imprime um novo ritmo à sua pintura, que passa a estabelecer uma relação mais direta com o naturalismo e os elementos da floresta. Nesse mesmo período, realiza uma série de viagens em busca de suas raízes, convivendo com diferentes povos indígenas, entre eles Bakairi, Xavante, Kayapó e Krahô. A experiência aprofunda seu conhecimento sobre a natureza, as árvores, as plantas medicinais e as técnicas construtivas tradicionais, dimensões que se tornam centrais em sua produção artística.
Ao longo de mais de quatro décadas de trajetória, o artista consolidou uma prática de pintura baseada na experiência direta com esses territórios. Sua paleta se constrói por sobreposições cromáticas em óleo, acrílica, cera de carnaúba e pigmentos naturais. Miguel não utiliza tinta preta: seus tons escuros surgem da mistura entre vermelhos, verdes e azuis, cor que assume protagonismo em sua produção. Elementos como raízes, troncos, seivas e névoas aparecem em suas obras como registros de um território em transformação.
A pintura nasce de um processo contínuo de observação e deslocamentos. O artista percorre a mata, fotografa paisagens e recolhe impressões que mais tarde reorganiza no ateliê por meio da memória. Suas obras não partem da descrição direta da paisagem, mas da experiência acumulada entre floresta.
A força sublime presente nas obras da exposição Água da Mata dá continuidade ao próprio movimento de vida do artista e à sua aguçada capacidade de observar a floresta e as formas de existência que emergem do intercâmbio entre calor, umidade e riqueza do solo. Trata-se de um recorte de sua produção recente. Em formatos que convidam o corpo a se aproximar e se recuar da obra, suas pinturas condensam a ideia de que permanecer vivo e em estado de contemplação ativa é um gesto sagrado e político ao mesmo tempo.
Com águas que atravessam rochedos, que caem em temporais sobre veredas e áreas devastadas, Água da Mata considera o estado contemplativo como prática de transformação capaz de irrigar áreas desertificadas da mente, instaurando um campo fértil para que haja coexistência e reciprocidade entre comunidades e natureza.
Ao longo de sua trajetória, Miguel Penha Chiquitano realizou mais de 50 exposições no Brasil e no exterior, incluindo França, Alemanha, Áustria e Bolívia, além de receber o Prêmio Marcantonio Vilaça em 2009. Participou de eventos como o 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, em 2017, e da primeira Bienal das Amazônias, em 2023 em Belém e com itinerância na Colômbia em 2025. Com a Zipper Galeria, integrou importantes feiras como SP-Arte, SP-Arte Rotas, ArtRio e ArPa.
Mais Informações:
Miguel Penha Chiquitano – Água da Mata
Curadoria: Josué Mattos
Local: Zipper Galeria - R. Estados Unidos, 1494 - Jardim America, São Paulo
Abertura: 18 de junho de 2026
Período expositivo: 18 de junho a 01 de agosto de 2026
Entrada: Gratuita
Acesse: www.zippergaleria.com.br | @zippergaleria



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